quarta-feira, 21 de abril de 2010

DVDs




BOOKS






MUSIC
Jason Mraz
Diana Krall
Radiohead

Maria Gadú

Ana Cañas

50 plus 1 Design Rules (for any designers)

1. Good designers copy, great designers steal
2. Make it pretty
3. Fashion is made to become unfashionable
4. Design is thinking made visual
5. A camel is a horse designed by a committee
6. Never use more than two typefaces
7. Style is not to be trusted
8. Good design solves the right problem
9. Design is not art
10. Minimalism is dead
11. Never use copy and paste
12. Make it new
13. Never photograph people eating
14. Always make the top left-hand logo of the website a home button
15. K.I.S.S. (Keep It Simple, Stupid)
16. Don't over accessorize
17. Use a grid
18. A picture is worth a thousand words
19. Never stretch a font
20. Practice makes perfect
21. Form follows function
22. The logo must be recognizable
23. If you don't know what to do... just do it big and red
24. It is better to be good than to be original
25. Fashion can be bought, style one must be posses
26. Helvetica always works
27. Cleavage or legs, never both
28. Good design communicates
29. Dress to impress
30. Never work with animals or children
31. Never use white type on a black background
32. Make the logo bigger
33. Leave it to the last minute
34. God is in the details
35. Think outside the box
36. Kill your darlings
37. Never sacrifices style for comfort
38. Design is evolutionary, turn mistakes and accidents into opportunities
39. The medium is the message
40. The client is always right
41. Shoes and bags must always match
42. Turn it upside down
43. Trust no one. All clients are bastard. Eat more fish
44. Less is more
45. Good design is for life
46. Know your audiences
47. If your image does not work, put a dog in it. If still doesn't work, put a bandage on the dog.
48. Don't let bad design hurt great content
49. [ insert buzzword ] is the new black
50. Dress your age, not your shoe or waist size
51. BREAK THE RULES
(copy and paste http://chaosdesignstudio.blogspot.com:)

Listen to the best music on Awdio!

Caperino & Peperone

Quadro I Love Rio - Marília Cotomacci (2008)



quarta-feira, 8 de julho de 2009

O último baile da Ilha Fiscal

Chovia muito naquele sábado de manhã. Chovia tanto que deu aquela preguiça enorme de colocar o focinho para fora. Mas não teve jeito. Max levantou, espreguiçou-se lentamente e caminhou para o jardim.
Ele não gostava nada de chuva. Nem de banho. Nem de cheiro de alho e barulho de moto.
No terraço, Max sentou, olhando a chuva cair, pesada, fria, molhada. Era sábado e o dia era daqueles compridos, daqueles que não acaba mais. Como uma gota longa que escorre no vidro. Como uma lambida de gato.
Mais tarde, um raio de sol deslizou entre as nuvens. Max saiu do torpor e foi caminhar, sem pressa, na grama molhada. Numa bromélia arreganhada tinha uma mosca. Uma mosca com patas e asas, como todas as moscas.
Mas essa mosca falava e disse:
- Ei, você aí! Viu minha frasqueira?
Max pensou que não era com ele. Moscas não falam.
- Você mesmo, peludão, tu viu minha frasqueira?
Era com ele mesmo. A mosca estava falando com Max.
- Eu não sei nada de frasqueira e moscas não falam.
- E quem disse que gato fala?
- Moscas não têm frasqueiras
- Você viu ou não minha frasqueira?
- Claro que não, mas para que você quer uma frasqueira?
- Não é uma frasqueira, matuto, é a minha frasqueira, a minha frasqueira de perfumes.
- Perfumes?
- Sim, perfumes. Vou ao baile da Ilha Fiscal, e ainda estou cheirando a cocô. Cocô de gato, fedido.
- Ah, desculpe, deve ser meu.
- É seu sim. Cocô de gato é como queijo francês. Fede mas é bom demais.
- Como você se chama mosca?
- Marília, e você, peludo?
- Prazer Marília, eu sou o Max.
- Prazer Max. Você me ajuda a procurar a minha frasqueira?
Max começou pela cozinha, depois foi ao quarto, entrou debaixo da cama, por cima da estante do corredor, na banheira, debaixo do piano. Marília sobrevoou pelos lustres, entrou na máquina de lavar, na lixeira da copa.
Mas nada de frasqueira.
- O que vou fazer? É a última festa da Ilha Fiscal. Não posso ir desse jeito. Como é que você foi cagar tão gostoso, seu gato cagão!
- Desculpe, Marília. É que tinha um salame jogado na pia, ontem.
- Um salame? Na pia? Meu Deus, o salame da pia! É isso!
- O que foi?
- O salame da pia, minha frasqueira está lá!
Em um piscar de olhos, Max e Marília já estavam na pia. Mas cadê o salame? Nada de salame. O salame não estava mais lá.
- O salame sumiu, esbravejou Marília.
- Que salame? Ah sim, o salame.
Marília se pôs a chorar. Como choram as moscas quando estão tristes. Histericamente. Max também chorou. Como choram os gatos. Silenciosamente.
- Marília, pera aí, o salame, você esqueceu a frasqueira no salame, certo?
- Sim, ontem eu vi aquele salame na pia e, como eu estava com pressa, larguei a frasqueira e dei uma lambida na gordurinha do salame.
- Mas eu comi o salame, Marília. Não vi frasqueira nenhuma lá. Será que comi a sua frasqueira junto?
- Você comeu a minha frasqueira?Você comeu a minha frasqueira, seu gato nojento, fedido, peludo!
- Acho que sim.
- E agora? O baile?
- Eu tive uma idéia
- Desde quando gatos têm idéias?
- Desde quando moscas têm frasqueiras?
- Você é um gato maldito, fedido e peludo.
- Não sou fedido.
- É sim fedido.
- Não sou, você é que é fedida porque come cocô.
- O seu cocô, fedido como você.
- Não sou fedido.
Foi assim que a briga começou. Primeiro foram só trocas de gentilezas. Acabou nas patas. Max e Marília brigaram muito. Até que num acesso de raiva, Max comeu Marília.
Chovia muito naquela tarde de sábado. Max estava cansado. Deitou-se na varanda da casa e dormiu.
E Marília, a mosca?
Chovia muito naquela noite de sábado. Marília encontrou sua frasqueira mas perdeu a hora com um resto de salame na barriga de Max e se atrasou para o último baile da Ilha Fiscal.
(Fernand Alphen)

Crenças. Eu acredito no amor.
"Talvez não seja aconselhável ser uma otimista após os 30. Talvez pessimismo fosse como hidratante, para usar diariamente. Senão, como se recuperar quando a realidade abalar suas crenças e o amor não superar tudo, conforme prometido?
Esperança é a droga que devemos largar ou a que nos mantém vivos? Que mal há em acreditar?"


E faça-se a luz!
"Segundo alguns cientistas, sempre que uma mulher transa, seu corpo produz uma substância química que a faz se envolver e que é responsável por várias dúvidas cruéis que, sem querer, nos atormentam mesmo após um único encontro.
“Ele gosta de mim?”, “Ele vai ligar de novo?”. E a clássica: “Onde isso vai dar?”
Quando o assunto é homens, mesmo quando tentamos ir com calma, por que acabamos no escuro?"


ONE. A pessoa certa.
"Culpo o Dia dos Namorados..
Centenas de cartões declarando que “você é a pessoa certa”. Imagine quantas ligações são feitas tarde da noite só por causa desse conceito. E não é por causa do amor. Estamos sempre procurando algo que torne nossa vida completa.
O trabalho, as oportunidades, a família... quando termina a espera pela pessoa certa?"


Perigos.
"Quando você é jovem, sua vida gira em torno da procura pela diversão. Aí você cresce e aprende a ser cautelosa. Pode quebrar um osso ou o coração. Você olha antes de saltar, porque nem sempre existe alguém lá embaixo para amparar sua queda.
Na vida, não há redes de segurança. Quando a vida parou de ser divertida e se tornou assustadora?"


Tribunais e Separações
"No tribunal, o júri chega a um veredicto. Em um relacionamento, as vítimas devem decidir o seu próprio destino. Como podemos decidir o que fazer quando estamos tão envolvidos?
Precisamos de distância para ficarmos mais próximos?
No tribunal, você precisa ouvir os depoimentos. Nos julgamentos do amor, você precisa ouvir o seu coração."


Expectativas
"Nós, mulheres inteligentes, sabemos que não existe perfeição. Mas ainda assim a vida nos surpreende. Talvez, depois dos 30 anos, namorar deveria ter outro nome. Deveria se chamar: “esperar que as coisas esquentem”.
Se não é o sexo, algum de nós tem que mudar. Por que sempre existe um problema?
As pessoas acreditam que os homens evoluem junto com as mulheres. Existem vários artigos escritos sobre o “Homem Moderno”… mas será que esse “Homem Moderno” existe mesmo?
Ou será que é o mesmo homem de sempre com uma embalagem nova?
Os homens de hoje se sentem menos ameaçados por mulheres com poder? Ou será que só são bons atores?"


No Pregão do Amor.
Mercado de Ações e Namoro.
"Se você tem ações ruins, você se dá mal.
Se você tem um encontro ruim,
você perde a vontade de viver.
E se o encontro for bom,
o risco aumenta ainda mais.
Depois dos altos e baixos
você pode acabar sem nada.
Em finanças e namoros, a questão é:
Por que continuamos investindo?"

quinta-feira, 28 de maio de 2009

terça-feira, 19 de maio de 2009

Minha Casa

Se um dia você não estiver muito mal-humorado, com a cabeça pendendo para baixo e caladão num canto, você tem que vir me visitar.
Para deixar você com água na boca e balançando os pezinhos de ansiedade, vamos fazer de conta que você acaba de chegar, na imaginação.
Eu venho receber você no ancoradouro. O sol ainda está meio baixo, por cima do mar, mas já faz carinho na pele. Vou lhe dar a mão para descer do barco e, com um sorriso maroto, vou beliscar a ponta do seu nariz. Aqui no meu país é assim que damos as boas-vindas.
Vamos caminhar no pontilhão de madeira silenciosamente, cadenciando os passos ao ritmo da maré que gargareja na baía dourada. Depois, vamos subir o caminho de terra. Na primeira curva tem um bambuzal. Vamos dar uma parada discreta para olhar o mar que filtra espelhinhos de luz entre as folhas. Vale suspirar porque, a cada sopro que você der, jangadas minúsculas irão surgir, arrepiando a água azul, lá em baixo.
Vamos em frente e agora é preciso arregaçar as calças para atravessar o rio escuro. Cuidado para não escorregar nas pedras. No meio, tem uma pedra chata. Vamos sentar ali, um pouco. Você está vendo ali em cima, por cima daqueles arbustos acrobáticos? As frutas dessa mangueira são mágicas. Fazem você ver estrelas mais azuis, mais vermelhas, mais amarelas.
Na outra margem, o solo é liso e quente. Podemos tirar os sapatos e arrastar a planta do pé, patinando levemente, como se estivéssemos dançando. Quanto mais devagar, melhor, porque, a cada escorregada, uma nota vai despontar no céu, longa, firme. E, se você acompanhar o meu ritmo com cuidado, vai ser como se de repente mil orelhas pipocassem no seu corpo. Você vai ouvir sons que arrepiam o coração.
Lá em cima fica a minha casa. Já estamos chegando. Só falta mesmo atravessar a floresta de cipó e passar as mãos para sentir como eles se enroscam na sua nuca, correr pelo gramado com a boca bem aberta para sorver o vento de hortelã com canela e pular as doze cercas, prestando atenção aos gritinhos e prazer que as flores dão quando voamos por cima de seus pistilos coroados.
Pronto. Seja bem-vindo à minha casa. Não precisa agradecer. Ela é sua, todos os seus cantos e encantos.
Quando é que você vem?

Fernand Alphen

segunda-feira, 18 de maio de 2009

L’oiseau de Pernambouc

Acariciando o queixo, desenhava com uma mão, assuntando com as tripas e respirando com o coração.
Horas a fio pesquisava, firmava o traço e os rabiscos soluçavam sobre o papel.
Quando se deu por satisfeito, no quarto silencioso, um enorme sorriso iluminou o papel. A carta estava encerrada. Mandaria no dia seguinte.
Todas as cartas de amor são parecidas. Dizem as mesmas coisas, repetem as mesmas palavras, as mesmas superfícies e idênticos conteúdos.
Cartas de amor não dizem nada. Cartas de amor são palavras parasitas. Tal qual um vírus inanimado quando solto no ar, manifestam-se quando penduram seus mistérios no receptor.
E, quando encontram o único e adequado terreno, meu Deus, o que é essa avalanche? Meu Deus do céu, faça-me ser o escravo dessa química!
De que me importa o Deus do céu, quando se ama?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

“A Prazerosa”

Tá na hora, tá na hora! Os beliches tremeram, os corredores foram invadidos instantaneamente, elevadores lotados, escadarias apinhadas. Quantas pernas habitam um formigueiro?
Pernas botadas disciplinam a saída. Pernas descalças ritmam a evacuação. Não tem chororô. Todo mundo a postos para o trabalho. Vida de formiga é assim mesmo. “Bem unidos façamos uma terra sem amos.”
Lá fora, o dia já tingia as primeiras sombras no chão.
A ordem era atacar uma roseira desavergonhada, uma roseira petulante no meio do jardim. Ela já estava no ponto, havia alguns dias, mas o manacá tinha dado mais trabalho do que o previsto.
Em fila indiana, a massa pisoteou a terra e enfurnou-se num túnel gramado para chegar ao pé lascivo que dardejava desafiadoramente sua verdura.
Os batedores espalharam-se pelo canteiro. A precaução era de circunstância. O mundo não está fácil, e roseiras gostosas são raras.
Era um trepidar infindável de pernas, acelerado, frenético.
Não houve um único intervalo, uma única parada para respirar, bater papo ou fazer xixi.
Quando avistaram o tronco espinhudo da messalina, a soldadesca acelerou o passo. Era preciso chegar logo, começar logo o trabalho.
A roseira era frondosa. O dia ia ser curto para dar cabo de tanta luxúria.
O esquadrão abre-alas, composto de formigas acrobáticas, lançou-se na escalada.
Era preciso mapear o alvo.
Rapidamente os planos de ataque foram traçados, esmiuçados, decorados.
A subida foi finalmente ordenada. Para o alto. Folhas tenras primeiro. Ia ser uma festa, um orgasmo coletivo, uma orgia selvagem.
Mas, quando a primeira observadora chegou ao cume da vagabunda, da roseira, um grito foi ouvido. Um grito de desespero. De pavor. Instantaneamente o formigueiro, que já enegrecia
o tronco, paralisou de espanto.
Não havia mais uma única folha viva: um demônio obeso, peludo, uma larva vermelha havia deflorado a roseira oferecida.
Acordar cedo, trabalhar duro de nada ajudou as formigas: retornaram com fome e sem tesão.
Já a larva tarada, num arroto vegetal, padeceu de indigestão.
E a rosa, a rosa safada, aguardou para dar-se noutra florada.

(Histórias para ex-crianças – Fernand Alphen)

sábado, 21 de março de 2009

Anjo Vitor

Um belo dia, um anjo escolheu este lugar para trazer alegria, paz, amor e ensinar para as pessoas daqui, que a vida é linda, porém, breve.
Ele encheu os corações de amor, fez muitos amigos, espalhou alegria e até jogou um futebol pra provar que além de anjo, era também muito bom de bola.
Sabendo que os anjos têm uma missão importante quando vêm para a terra, que é proteger as pessoas, ele também sabia que um dia teria que voltar.
E um dia, sem ser avisado que aquele era o dia, teve que voltar para sua casa sem poder se despedir de todos que amava.
Hoje, ele não está aqui, agora vive alegrando as estrelas, muitos outros anjos e todos os santos lá no céu.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Cow Parade Madri - by Werner Pockel











Werner maravilhoso arrasando em Madri!

O diretor de arte brasileiro Werner Pockel, que trabalha na agência espanhola Kitchen mandou uma proposta à mostra CowParade Madrid, em meados de 2008.
Ela concorreu com outras 1200 idéias.Em novembro último, Pockel soube que seu projeto foi um dos escolhidos pela organização do evento.Ao todo, 105 layouts de vacas foram selecionados e elas já estão espalhadas pelo Centro e região de Salamanca de Madri.O nome da vaca de Pockel é Vida. E é o criativo quem explica: "Quis ir para o lado abstrato, mesmo. Não queria que a proposta se fechasse em uma idéia, mas sim deixar em aberto para quem a visse, para cada um poder fazer sua leitura pessoal dela. Quis homenagear os grandes nomes espanhóis das artes plásticas (Picasso, Miró e Dali), temperando com muita cor, afinal sou brasileiro. As linhas e cores representam a vida em constante movimento e tranformação, como a minha, que vim morar em Madri.A CowParadeMadrid segue até 21 de março.
Mais detalhes no site http://www.cowparademadrid.com/

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

DUVIDA DA LUZ DOS ASTROS,
DE QUE O SOL TENHA CALOR,
DUVIDA ATÉ DA VERDADE,
MAS CONFIA EM MEU AMOR.
Hamlet, 11:11

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Tenho a situação controlada


Tenho a situação controlada.
Domino o meu espaço e o meu conteúdo.
O meu espaço vazio.
Ou as dezenas de objetos diferentes que guardo.
Sei sempre o que possuo, o que não existe ou o que falta.
Para estudar a minha fisionomia, talvez não seja preciso pensar muito.
Mas, visto mais de perto, sou quase divina e merecedora de grandes viagens.
Uma verdadeira companheira de amor e consolo, de reconhecimento.
Fui apoiada com tal força e paixão amorosa pela minha alma e pelos seus valores!
Ela me faz subir mil escadas, segurando-me e sem nunca me ignorar.
E eu estou aqui para acalmá-la, dar-lhe equilíbrio ou ser testemunha.
Por vezes, revolve a minha alma à procura de coisas necessárias, como batons e espelhos que guardo com carinho.
Procura lá dentro e encontra o meu sagrado espaço interior.
Repleto de maquiagens e espelhos, sou a bolsa da minha dama.
(David Roby)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Por isso ando sem olhar pra trás
já foi, virou notícia velha
de um jornal de muitos anos atrás
não vale a pena, não acrescenta
não sinto vontade, nem saudade
ficou antigo, velho e fedido
pelas coisas que apodreceram
e se perderam no caminho
Por isso ando sem olhar pra trás
não corro, ando de cabeça erguida
mesmo que tenha um peso na minha lembrança
que faz meus passos serem ainda mais fortes,
rápidos e decididos
Por isso ando sem olhar pra trás
num gesto de revolta, cuspo no chão
consciente do papel quase ridículo
mas vou em frente, sempre pensando
como pude?
Por isso ando sem olhar pra trás
não agüento esse cheiro
que antes eu respirava fundo pra sentir
e agora é um odor insuportável
não quero ouvir sua voz, sua conversa
falsa, dissimulada e desinteressante
não suporto olhar para o seu rosto
ficou cheio de marcas tristes
com cara de quem comeu
e nunca vai gostar de ninguém
Por isso ando sem olhar pra trás

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor.
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos
o problema é que quero muitas coisas simples, então pareço exigente.
Fernanda Young

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Hein?

Olho para os lados e pergunto: o que você acha que eu devo fazer? Pra onde eu devo ir?
Qual é a minha cara? Do que eu realmente gosto?
Perdi a vontade, a identidade e ando perdendo a paciência com a vida. Quero ser como um grande artista que olha a sua tela e respira orgulhoso. Quero ser como um atleta que, no dia da grande olimpíada, cai e chora, porque lutou e lutou anos pra ser o melhor.
Não sei pintar tela nenhuma, quando caio só me preocupo com o hematoma, se vai me deixar marcas. O único desejo que não me desgruda nunca é uma compra. A tal sensação de poder, de felicidade que dura até o momento em que entro no táxi e percebo a loucura que eu fiz.
Ultimamente, a minha única busca é uma busca. O que fazer pra ter tesão de levantar da cama e cantar no chuveiro?
Exagerei. Não preciso cantar. Só uma dançadinha na frente do espelho e louca pra sair correndo pra algum lugar.
A sensação que eu tenho é que o relógio (que eu não tenho no pulso) está correndo e me chamando ACOOOOOOOOOOOOOOOORDA SUA IDIOTA! FAÇA ALGUMA COISA REALMENTE LEGAL!
Aí já vem a loucura do espelho e já me vejo feliz, vestida num modelito “creative fashion”, nada básico, com calças rasgadas, mil pulseiras que tomam todo o meu antebraço, um anel enorme de pedra roxa (ametista) no meu dedo indicador e uma bota de plataforma altíssima. Nos meus cabelos, uma flor. Louca, eu?
Não! Quero extrapolar da cabeça aos pés, ando cheia de idéias malucas, mas não consigo filtrar uma que preste. Mas haverá um dia, em que alucinada e amparada por anjos amarrados (todos de branco mas com asas coloridas) me farão uma mulher de sucesso e realizada. Louca e feliz. Pobre e criativa. Porra-louca e cristã.

Bem na Moda


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Marcas pra que mesmo?


B52 chegou do Asteróide Zig há meia hora. Ele aterrissou no quintal de um tal de Teixeira, à tarde.
Depois de chacoalhar a poeira estelar, para recarregar as baterias solares, deu um pulo no bronzeamento artificial de Teixeira, enquanto se atualizava sobre seu anfitrião no Zigpídia.

“Interessante, muito interessante, refletia B52. O tal Teixeira está à frente (lidera, idealiza) de muitas estratégias (técnicas, táticas e planos de ação) mercadológicas (que dizem respeito ao mercado de compra e venda) que envolvem (que cobrem) campanhas (temporada de guerra) publicitárias (de coisas que são publicadas) para grandes marcas (pegadas, ou referente à denominação simbólica de um produto ou serviço). Marcas? Vamos investigar.”

Mais tarde, deambulando pela casa do Teixeira, B52 pesquisou com muito afinco o que seriam essas tais marcas. Encontrou muitas e de dois tipos.
As do primeiro tipo na sua maioria provinham de vestígios humanos. Pareciam ser dejetos de matéria orgânica em decomposição: de pele, de secreções e de outros que tais que B52 armazenava cuidadosamente para análise posterior.
As do segundo tipo eram muito mais uniformes, pouco variadas e, portanto, menos interessantes. Todas identificavam aquele monte de objetos inanimados que compunham o lar de Teixeira. Elas “marcavam” tudo, embora esse tudo parecesse muito parecido e com interesse científico muito duvidoso.
E tropicando aqui, xeretando acolá, B52 acabou pisando num objeto não identificado que, por ação de causa e efeito, acionou outro que acendeu e começou a falar. B52 fascinou-se com a luz que irradiava de lá, cheia de vida, cores e sons. Demorou-se por ali, deslumbrado.
E foi nesse estado de contemplação estática que Teixeira o encontrou. O publicitário não se acanhou e sentou-se a seu lado, cansado de tantas frentes estratégicas e campanhas memoráveis.
B52 despertou de sua letargia e, com os discos rígidos completamente lotados de tanta armazenagem, entregou-se:
- O que são marcas?
- Ora, marcas são representações simbólicas de um produto ou serviço.
- Por certo. Isso eu entendi. Mas simbolizam o que exatamente?
- Simbolizam os atributos racionais e emocionais associados aos produtos e serviços.
- Racionais como?
- Como, por exemplo, “conforto e velocidade” para um carro, “poder de absorver” para um lenço, “limpeza eficiente” para um sabão de roupas. Mas essas não são importantes. Ninguém mais liga para atributos racionais.
- Não?
- Não. Ninguém compra um carro para ir de um lugar ao outro, nem um lenço para assoar o nariz e muito menos um sabão para lavar uma roupa.
- Não?
- Não. As pessoas compram um carro para se sentirem poderosas, um lenço para dar um toque de feminilidade, um sabão para se sentir vivo.
- E por que as pessoas compram um carro, um lenço e um sabão?
- Elas não compram carros, lenços e sabões. Compram marcas.
- Marcas?
- Marcas são a virtualização arquetípica das atitudes sintomáticas das pessoas, as manifestações das personalidades por símbolos interpostos, visando relacionar e situar o homem moderno no seu ser/estar, frente à sociedade, ao outro, a seu destino incerto, blábláblá.
- Marcas?
- Sim, marcas são o fascínio da humanidade, o devir capitalista mais-bem sucedido da história moderna, blábláblá.
- E o que VOCÊ faz?
- Ora, conto tudo isso para as pessoas e elas a-do-ram!
- A-do-ram?
- Sim, compram adoidadas.
- O quê?
- Ué, as próprias.
- Compram poder, feminilidade, vida?
- Exatamente!
- Elas compram onde?
- Eu poderia dizer “nos pontos de distribuição das marcas”, mas prefiro dizer “nos pontos de contato”
- Contatos?
- Sim, nessa televisão por exemplo.
- Eu posso comprar aqui?
- Praticamente.
- E o carro, o lenço, o sabão?
- Mas quem liga pra isso, meu caro? Não importa. Você vai lá na loja, mas já comprou aqui.
- Já? - Já. Só falta você dar o dinheiro. E não se esquecer do meu.
B52 foi-se da Terra no mesmo instante, para nunca mais voltar. Voltou para Zig porque lá tem teletransporte para todo canto, ninguém fica com nariz escorrendo e muito menos usa roupas para esconder as vergonhas.
(Fernand Alphen - seu post mais recente no blog do GP)

Fernand Alphen na Livraria da Vila




Segundo o Fernand, é o primeiro volume de uma coleção de contos.
Mas você pode conferir pessoalmente: amanhã, 26/08, o diretor de planejamento da F/Nazca estará lançando seu livro "História para Ex-Crianças", pela Editora Via Lettera.
Será na Livraria da Vila Jardins, Al. Lorena, 1731, São Paulo, das 19h às 22h.09-08-2008


ELIZABETH SECKLEN

Minha foto
"o luxo é uma válvula de escape tão indispensável à atividade humana quanto o repouso, o esporte, a reflexão (ou a oração)." Jean Castarède