sexta-feira, 10 de agosto de 2007
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Estou bem, a não ser o vazioque eu sinto sem um sinal seu,
sem uma pista do que aconteceu
alguma coisa que eu disse ou fiz?
será esse meu jeito sem-graça que não te agrada?
quero notícias, nem que sejam ruins
esse vazio ainda dá lugar a uma esperança
de apenas vê-lo sorrindo, me dizendo coisas
coisas que não entendo o sentido, mas apenas ouço
pensando em como seria te ouvir todos os dias
todas as manhãs, me olhando e dizendo bom dia
todas as noites, me olhando e dizendo boa noite
fecho os olhos e te vejo na cena que eu imaginei
pra minha vida inteira
as câmeras estão prontas, a claquete, os figurantes e a música…
só falta Ação.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
de "portas" abertas

- olá! você por aqui? quanto tempo hein?... bateu uma saudade, foi isso?
- mais ou menos, eu resolvi dar uma passada rápida, mas nem sei se deveria estar aqui…
- quer dizer então, que aqui não é exatamente o lugar onde você queria estar?
- peraí, você é que tá falando isso…
- tudo bem, já que entrou, vai querer o quê?
- sei lá, só vim me distrair um pouco
- fique à vontade, só te peço pra tomar cuidado com as coisas que eu tenho aqui… porque são frágeis
- humm… em todo lugar que eu entro as pessoas acham que sou um demolidor, por que será? tenho cara de mau?
- “cara” você não tem, mas é sempre bom avisar… eu aviso a todos que chegam
- vem muita gente aqui?
- ultimamente o movimento caiu. Andei de portas fechadas, fiz uma pequena reforma…
- ah, acabou de reabrir? vejo que tem pouca coisa por aqui…
- é que eu joguei muita coisa fora, dei uma geral. Só abro as portas nos dias em que sinto vontade… mas e aí, vai querer alguma coisa?
- o que você sugere, já que tem tão pouca coisa…
- tá achando pouco? então, cai fora
- já sei porque o movimento anda fraco… anda estressadinha?
- é que eu não tô mais afim de aguentar caras como você, que chegam olham o lugar “por cima” sem reparar nas flores que eu coloquei hoje bem cedo, nas paredes que eu pintei, nos quadros que eu escolhi… tá ouvindo a música? não, é claro que não! ... pois é isso que eu tenho, se quiser fique, senão se manda!
- Aí mulher, viajou hein? Tô fora!
Saiu e bateu a porta.
Foi melhor assim. É o tipo que não gosta de nada, vive na dúvida, não sabe o que quer...
Depois de alguns dias, batem à porta.
Ele voltou, disse que bateu uma saudadezinha... então resolveu dar uma passadinha de novo.
Puxei-o pelo braço, dei-lhe um longo beijo, que demorou tanto que até adormeceu a minha língua, empurrei-o pra cima da mesa e mostrei tudo que a casa tinha pra oferecer.
sexta-feira, 27 de julho de 2007
sexta-feira, 20 de julho de 2007
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Era uma vez, uma Gisele...

Gisele nasceu numa família muito rica. Nasceu com muita saúde mas sem nenhum atributo físico. Quando bebê, tinha três babás que se revezavam e diziam que nunca tinham visto uma criança tão feia, mas com pena, comentavam “quem sabe quando a menina crescer ela não muda?”
As babás estavam enganadas. Gisele descobriu o espelho ainda pequena e não entendia o que via, achava que era um brinquedo que distorcia a sua imagem. A única vantagem era ir nas festas de halloween apenas com o vestido e o chapéu. O nariz já era grande demais, as orelhas de um tamanho descomunal que a mãe a ajudava prender com fita dupla face. Os olhos saltados ficavam assustadores embaixo das sombrancelhas grossas, sua boca grande dava um certo equilíbrio ao seu queixo avantajado e sua cabeça... bem, sua cabeça era desproporcional ao restante do corpo, e ela não era baixa, tinha 1,87m... a sua cabeça, realmente, é que era grande demais.
Gisele adquiriu quilos e quilos a mais, quando começou a comer, compulsivamente, pra compensar toda a solidão que era a sua vida. Gisele cresceu, convivendo com os olhares de pena, olhares de indignação e com muitos desvios de olhares.
Gisele se apaixonou. A primeira paixão foi pelo garoto mais feio do colégio, mais baixo do que ela, com óculos fundo de garrafa, dentes grandes que não cabiam dentro da boca, usava aparelhos dentários que faziam sua boca salivar constantemente e o cabelo sempre com aspecto de sujo, repartido para o lado.
Um belo dia, ela resolveu lhe pedir um beijo, aproximou-se do rosto dele, seu queixo se encostou no dele e ele lhe empurrou dizendo e cuspindo saliva, ao mesmo tempo:
- Você não tem espelho em casa?
Aos 23 anos Gisele decidiu reunir a família e pediu que toda a sua herança fosse empregada numa mega super cirurgia de renascimento facial e corporal. Todos da família se entreolharam e não viram outra saída a não ser, concordar.
Decidiram que seria em outro país, algo sigiloso. Uma equipe de cirurgiões japoneses, americanos, alemães, russos e um brasileiro se reuniu para o desafio. Alguns pensaram que isso poderia ter um terrível desfecho e quase desistiram na hora da cirurgia, mas o japonês, olhando para o corpo estendido, disse:
- coitada, a menina é muito feia!
Foram semanas de cirurgia num rodízio de pizzas, médicos, enfermeiros, anestesistas, familiares...
Gisele teve seu globo ocular transplantado por um menor, suas orelhas foram reduzidas e grudadas de novo à cabeça, seu nariz foi cerrado e minuciosamente estudado para ter equilíbrio com o queixo, que também havia sido cerrado e diminuído. Parte da pele do rosto foi retirada e esticada para que sua boca fosse refeita, seus dentes foram extraídos e uma nova arcada dentária implantada, com dentes perfeitos e branquíssimos.
O mais dificil foi a cabeça. O couro cabeludo e a pele do rosto foram repuxados ao máximo e lhe implantaram muitos cabelos, uma linda e espessa cabeleira fez com que a sua testa diminuísse um pouco.
Silicone aqui, mais um pouco ali, redução de estômago, de barriga, de mãos (os dedos foram recauchutados, sem deixar nenhum calinho pra contar história).
Felizes com o resultado, os médicos combinaram com a família que só iriam acordá-la quando tudo estivesse totalmente perfeito.
Gisele saiu do hospital e foi levada ainda de maca, dopada, ao melhor salão de beleza de Boston, onde o melhor cabeleireiro cortou os seus cabelos, aplicou-lhe luzes, hidratação, redesenhou suas sombrancelhas, lixaram suas unhas, as esmaltaram e a colocaram numa câmara de bronzeamento artificial.
Os médicos foram ao salão de beleza, para que, quando a acordassem, eles presenciassem sua obra prima.
- Ela está acordando! - sussurrou a mãe.
Todos correram pra perto dela. Gisele abriu os olhos. Lindos olhos azuis.
- Lindos! - gritaram em coro
Gisele sorriu. Um sorriso perfeito.
- Ohhhhh!!!! – todos exclamaram perplexos.
Gisele se sentou na cama, tirou lentamente sua linda lingerie Victoria’s Secret e colocou rapidamente a mão na barriga que agora, estava perfeitamente lisa, graças aos cremes Nivea que lhe aplicaram por todo o corpo.
- Nossssssaaaaaaa!!! – o médico japonês já sacava sua máquina fotográfica.
Gisele jogou, com a cabeça, os cabelos para os lados (slow motion) para sentir o movimento dos cacheados loiros naturais hidratados.
- Parabéns Wanderley - disse a mãe batendo palminhas, não se contendo de alegria
Gisele pediu que todos se afastassem, pois ela iria descer da cama.
Todos encantados, tomaram distância e Gisele ao colocar os pés no chão, caiu!
- Ohhhh, Gisele caiu!!! Todos espantados correram para acudí-la.
Ela disse, em tom irritado:
- Olhem, meus pés...
- Nossa, os pés! - todos saíram correndo.
Correram até um shopping e compraram um lindo par de sandálias Ipanema Grendene.
quinta-feira, 12 de julho de 2007

A lente do amor grudou na retina e trouxe a realidade
para a paixão.
Agora, nela, vê-se poros abertos, veias desconcertantes
e azuis ao lado das narinas, que inspiram e expiram
o cansaço enfisêmico dos pulmões que já inflaram de
êxtase e susto
espera e dor.
Como é engraçada a miopia dos amantes histéricos.
Mas os olhos podem descansar do criativo,
as lentes revelam o cabelo debaixo da peruca e,
abaixo do cabelo, o couro. Que por vezes
escama e coça e dá vontade de escalpelar.
Como é engraçada a verdade que ninguém quer ouvir.
E aqueles, antes cegos, quase idiotas, reconhecem
primeiro a sombra, depois os relevos,
enfim as cores e as texturas.
E as lentes preenchem a transparência, entupindo-a
de estômagos, pâncreas, fígados e intestinos;
não dando mais para ver-se - vê-se o outro.
Então há o horror, e por fim, que é começo, o amor.
Como é engraçada a vida, posto que é só isso.
quarta-feira, 11 de julho de 2007
terça-feira, 10 de julho de 2007
quarta-feira, 4 de julho de 2007
segunda-feira, 2 de julho de 2007
1001 noites sem o meu amor...

É só um título para este texto. Estou há muito mais tempo sem o meu verdadeiro amor. Ele não vem, não chega nunca... vive atrasado.
Ando até sonhando com atores, pessoas bem distantes de mim, me pego dançando nua, pinto minhas unhas com esmalte escuro, beijo meu cachorro na boca, minhas roupas são escuras, meu pijama é cinza e meu salto é alto.
Por que então me sinto tão pequena?
Será que é porque eu estou de meias?
Tomo Lexotan depois de um copo de leite quente. Tudo pra me acalmar. A raiva é que chega e eu juro que não vou pensar mais nele.
- Falsa! (alguém sempre me diz isso).
Prefiro esperar o telefone tocar, um avião aterrisar, o galo cantar - essa foi só pra rimar.
Parece coisa de louco. E é. Me lembro de um deles, me enviava poesias loucas, absurdas, de até 3 palavras. Mas só isso ele sabia fazer. Ainda não existia msn, torpedo, e-mail...
Conheci um outro que não conseguia escrever uma linha, copiava textos (da internet) e frases de efeito. Pelo menos vinham acompanhados de algum mimo.
E tantos outros... (não muitos).
Mas o meu verdadeiro amor chega amanhã. Tá na agenda. Ele não ligou desmarcando. Ele cumpre promessas e compromissos.
Peraí, uma ligação perdida... é dele.
Tem um recado na caixa postal...
Não quero ouvir, apaguei.
Vou tomar mais um Lexotan e amanhã vou até o aeroporto com um terço e flores na mão.
terça-feira, 26 de junho de 2007

Caso você queira posso passar seu terno,
aquele que você não usa por estar amarrotado.
Costuro as suas meias para o longo inverno...
Use capa de chuva, não quero ter você molhado.
Se de noite fizer aquele tão esperado frio
poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro.
E verás como a minha pele de algodão macio,
agora quente, será fresca quando for janeiro.
Nos meses de outono eu varro a sua varanda,
para deitarmos debaixo de todos os planetas.
O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda
- Em mim há outras mulheres e algumas ninfetas -
Depois plantarei para ti margaridas da primavera
e aí no meu corpo somente você e leves vestidos,
para serem tirados pelo seu total desejo de quimera.
- Os meus desejos, irei ver nos seus olhos refletidos. -
Mas quando for a hora de me calar e ir embora
sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim.
Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola,
mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.
(Nem vou deixar - mesmo querendo - nenhuma fotografia.
Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda a minha poesia.)
Votos de Submissão - Fernanda Young
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Luxo

Os que comparam o ato de compra a um ato de amor não estão assim tão equivocados quando se trata da aquisição suntuosa de um objeto luxuoso. Por conseguinte, o luxo está ligado essencialmente a nossas pulsões, sejam boas, sejam ruins. A principal regra da vida é assumi-las ou sublimá-las. E, ao fim e ao cabo, a verdadeira distinção entre o luxo autêntico e o luxo falso é que o primeiro enfatiza mais o ser que o ter. (Jean Castarède)
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ELIZABETH SECKLEN
- by Helô Neves
- "o luxo é uma válvula de escape tão indispensável à atividade humana quanto o repouso, o esporte, a reflexão (ou a oração)." Jean Castarède








































